Terá sido por acaso que este blog foi criado no dia em que São Paulo, a maior cidade do Brasil e da América Latina comemora seus 454 anos?
Não creio. O número 54 me persegue e foi graças a ele, o gato, que consegui ganhar alguma coisa em jogos de azar.
Lembro do ano de 1954, quando São Paulo comemorou seu quarto centenário. Tinha 9 anos. Recordo que meus pais, ambos paulistas, colocavam o disco de 78 rpm com a música “São Paulo Quatrocentão” na vitrola, festejando a data. Não só eles, não apenas os paulistas, mas todo o Brasil, estimulados por um rádio ativo, cúmplice, que chegava a todos os lares brasileiros e fazia a verdadeira integração nacional.
Falando em rádio, naquela época não havia a televisão como hoje se conhece. Ainda estava engatinhando, com transmissões em preto e branco, ao vivo, usando apenas uma ou duas câmeras (alguém lembra do “Câmera Um”, com Jaci Campos? – eu lembro) somente no horário noturno. O rádio, chamado rabo quente por causa das válvulas, ficava sempre ligado em todos os lares, quase sempre na Rádio Nacional, de manhã à noite. Era a única fonte de informação, mas possuia uma agilidade que pode ser comparada à agilidade dos blogs na divulgação das notícias.
Foi neste mesmo ano que Getúlio se suicidou. Estava brincando na rua Grajaú, onde morávamos, e ouvi alguém falar:
-”O Getúlio suicidou-se.”
Corri para casa e perguntei à minha mãe o que significava “suicidou-se”. E dei-lhe a notícia.
Bons tempos do rádio. Antes do walkman, do mp3, havia o Transistone Philco e o SPICA, com capa de couro. Costumava esconder o radinho no bolso da japona e puxar o fiozinho do egoista até o ouvido. Era preciso esconder bem o rádio e o fio, pois não era costume, na década de 50, andar pela rua ouvindo música.
Enfim, o tempo não pára. Meio século se passou desde aquela época, tão próxima na memória e tão distante, na saudade.
São Paulo está de parabéns. Ajudou-me a escolher um tema para este blog. Diferente dos demais, não terá um tema específico. Será um blog de verdade, escrito livremente com minhas idéias, minha vontade, minhas alegrias e tristezas, minhas emoções. Será igual a tantos outros diários, mas diferente também, pois somos únicos nesse mundo tão complicado em que vivemos.
Espero que gostem.